“O que aprendi com os cangurus”, por Ricardo Campo

Kangaroos, assim chamados pelos australianos, são animais velozes, capazes de correr a uma velocidade de até 50Km/h e saltar distâncias de mais de 5 metros. Como marsupiais, são caracterizados pela presença de uma bolsa no abdômen, onde as fêmeas carregam e amamentam seus filhotes, os “joeys”.

Ícones da Austrália, de longas caudas e membros adaptados para movimento em propulsão, não podem andar para trás e, inclusive, aparecem no brasão do país como símbolo de progresso: um progresso presente no campo, onde a força da produção aparece em equilíbrio com a preservação ambiental e uso consciente de recursos.

No tour por New South Wales com a delegação de jovens produtores do Programa Agrolíderes, iniciativa do Rabobank para o desenvolvimento de lideranças rurais, foi possível conhecer a realidade rural dessa região com visitas a planícies de alto índice de fertilidade, resultado da origem vulcânica e do investimento em sistemas de irrigação.

Em operações com mão de obra reduzida, consequência do alto custo e da migração para os grandes centros urbanos, há a demanda por mais eficiência e planejamento, com otimização de processos, controles e monitoramento de dados, o tal do Big Data. E isso é evidente no que diz respeito ao uso da água, onde a relação com a sustentabilidade se faz ainda mais presente.



Assim como os cangurus, fazendeiros australianos são capazes de agir com velocidade para atender às demandas do mercado global, pulando as adversidades do clima árido e a falta de recursos hídricos. Mesmo que não carreguem seus filhos em suas bolsas, cultivam os valores de família nos negócios rurais e também têm que lidar com o desafio da sucessão e da governança.

Exportando proteína animal, açúcar, leite, grãos e algodão, em embarques destinados principalmente ao mercado asiático, a Austrália é um concorrente de expressão para o Brasil, porém manteve as portas abertas para receber jovens brasileiros em busca de conhecimento. A jornada incluiu passagens por fazendas das cidades de Armidale e Tamworth, com foco em operações de gado e algodão.

Com a colheita recém-concluída não foi possível fazer as tão esperadas selfies em meio ao campo de plumas, mas nem por isso o cenário perdeu a sua beleza. Além da interação com troca de informações e atenção do grupo aos comentários dos anfitriões, com orgulho estampado em seus semblantes em poder compartilhar suas experiências, entre as cenas mais memoráveis ficaram aquelas em que os jovens tocavam o solo e seguravam a terra com as mãos, na maior expressão de sua reverência do que ela pode nos oferecer se respeitada.

Especialista no agronegócio, o Rabobank tem feito a sua parte aqui e ao redor do mundo para permitir o intercâmbio agrícola com presença no campo, para produzir e ensinar. E do que eu aprendi com os cangurus, levo na bagagem a convicção de que com acesso a crédito, acesso ao conhecimento e networking é possível encurtar a distância que separa os continentes, disseminar as boas práticas e promover a agricultura sustentável.

Ricardo Campo é especialista de comunicação do Rabobank Brasil

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